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A descoberta de um talento


Depois de conhecer de perto o dia-a-dia como pedreiro, o goiano Thiago Peixoto descobriu um interesse até então desconhecido: a parte elétrica das construções


Reportagem: Leonardo Pessoa


PERFIL

Fotos: acervo pessoal
Nome
: Thiago Peixoto
Idade: 25 anos
Estado civil: casado
Local de nascimento: Goiânia
Onde mora: Goiânia
Função: eletricista
Onde trabalha: atua em projetos como profissional autônomo
Como aprendeu a profissão: Participou de cursos gratuitos
O maior sonho: conseguir ser contratado como eletricista em uma grande empresa e garantir um bom futuro à família

Como surgiu seu interesse para trabalhar na construção civil?
Antes de me interessar pela área, fui estagiário no Banco do Brasil aqui em Goiânia. Ao terminar o contrato, surgiu a oportunidade de continuar na agência trabalhando para uma empresa terceirizada na área de tesouraria. Fiquei um tempo, só que eu não via naquele trabalho perspectivas para crescer. Nessa época, fiquei sabendo de um curso gratuito para formação básica de pedreiros e acabamentos e decidi apostar nessa área. Como meu trabalho era de meio período, no restante eu me dedicava ao curso.

Então, antes disso, nunca havia passado pela sua cabeça atuar na construção?
Não. A entrada para esse segmento foi uma decisão mais recente. Descobri a oportunidade de aprender sobre o setor e comecei a estudar e me interessar. Logo que entrei para o curso de pedreiro no Senai, abriram uma turma no curso de eletricista e também quis aproveitar. Nesse tempo, saí do banco e passei a me dedicar à preparação para esse novo desafio.
 
Com a teoria e um pouco de prática do curso, de que forma conseguiu os primeiros trabalhos?
No começo, prestei serviço para pessoas conhecidas. O primeiro trabalho como pedreiro foi fazer a calçada da minha sogra. Depois, surgiram outros negócios de conhecidos. Mais tarde, passei a ajudar um profissional com experiência de muitos anos, que me ensinou muito mais. Só que eu não me identifiquei muito com essa área, e queria muito tentar conseguir algo como eletricista.

A partir daí, você abandonou os projetos como pedreiro e se dedicou a ser eletricista?
Isso mesmo. Já tinha o curso finalizado, apoiado pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Bom, também não tinha muita prática, mas muita vontade e determinação. Posso dizer que realmente me apaixonei por essa área. Gosto muito do que faço, além de ter melhorado muito minha condição financeira.

Fotos: acervo pessoal

Fotos: acervo pessoal
Fotos: acervo pessoal
Em família: Thiago Peixoto, a esposa Simone Luzine e o filho João Thiago. Quando sobra um tempo, a familia visita sua avó na fazenda em Ipamiri, Goiás. Thiago se esforça em seu trabalho para dar uma boa formação ao seu filho

 

 

Então, tem valido a pena essa nova área que você abraçou?
Dependendo da dimensão, alguns projetos elétricos rendem bons negócios. Hoje, chego a ganhar até dez vezes mais do que antes, como pedreiro. Mas, lógico que nem todo mês tenho o mesmo resultado. Atualmente, faço trabalho em galpões e não me arrependo de ter partido para essa área. Aliás, as oportunidades que tive nesses cursos gratuitos foram muito importantes também para a nova fase da minha vida que viria depois do casamento: a chegada do meu filho João Thiago.

Com pouco tempo na área, você demonstra muito empenho e expectativas com a elétrica. Teve apoio de alguém para realmente começar a atuar nesses projetos ou foi por conta própria?
Eu mesmo fui atrás. Fui a uma gráfica, mandei imprimir um milheiro de cartões com meus contatos (e-mail e telefone) e passei a distribuir pessoalmente a pessoas conhecidas. Dessa forma, foram surgindo os primeiros trabalhos. Só que eu desconhecia a tabela do mercado e nem tinha a noção de que poderia ser muito mais bem-sucedido como eletricista. Daí, fui conversar com alguns eletricistas. Sondei o mercado e até ligava para alguns profissionais como se fosse cliente para entender como poderia formar o preço do meu serviço. Como sou autônomo, preciso ter esse tipo de informação.

Fora do trabalho, o que você procura fazer para se divertir?
Como ainda sou novo nessa área, de um ano para cá não tenho tido muito tempo para lazer. Dedico-me ao máximo para me firmar como eletricista. Mas, quando sobra um tempo, eu gosto muito de visitar minha avó na cidade de Ipamiri (GO), onde ela tem uma pequena fazenda. Por ser muito católico, também participo de um grupo de oração, ambiente no qual conheci a minha esposa, Simone, em 2003. Mas, no geral, sou caseiro. Com meu filho pequeno, ainda, aproveitamos para curtir essa fase em casa mesmo.

O trabalho tem permitido que você consiga realizar sonhos materiais?
Desde que conheci minha esposa, nós dois começamos a planejar nosso futuro e financiamos um terreno em dez anos. Hoje, já conseguimos construir nossa casa, além de comprar um carro. O trabalho tem garantido que os planos se concretizem, sim.

E para o futuro, o que você espera ainda?
Pretendo logo fazer um curso de eletrotécnica. Já estou até pesquisando as opções, pois realmente me descobri como eletricista. E, profissionalmente, desejo ser contratado por uma empresa no futuro próximo. Não espero ficar como autônomo por muito tempo. Assim, vou ter mais estabilidade e condições de oferecer mais conforto à minha família. Quero muito conseguir dar uma boa educação ao meu filho, e bom preparo religioso, pois acredito nesses valores para a formação de um homem bom.

 
 
Edição 23|
Maio/2009
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