Por favor, conte-nos um pouco sobre a sua história. Como você começou a trabalhar na construção civil?
Eu vim de Pernambuco, de uma família grande e com poucos recursos. Minha mãe teve 16 filhos e como sou o mais velho, aos 14 anos precisei começar a trabalhar como cortador de cana-de-açúcar. Esse é um trabalho muito duro e essa vida sofrida foi a minha realidade até os 18 anos, quando decidi vir para São Paulo atrás de uma oportunidade melhor. Aqui eu comecei como ajudante de pedreiro na antiga construtora Encol e três meses depois eu já havia sido promovido a almoxarife. Quando a Encol faliu, eu trabalhava como encarregado administrativo.
Como foi esse período? Você chegou a ficar muito tempo sem trabalho?
Estou há cerca de 17 anos trabalhando em construção e felizmente nunca fiquei muito tempo parado. Logo depois que a Encol foi à falência, comecei a trabalhar na Cosil, onde estou até hoje. Na época, a construtora não tinha a função de encarregado administrativo, então fui contratado como almoxarife. Somente alguns anos depois, quando a empresa criou essa função, voltei a ser encarregado.
Como é o trabalho de um encarregado administrativo?
É muito interessante e eu gosto muito do que faço. Eu administro a parte de compra de materiais - checagem de notas, se a entrega foi feita direitinho etc. - e toda a parte de documentação da obra. Como as empresas trabalham muito com terceirização, o encarregado também precisa checar se a empreiteira contratada está pagando seus funcionários em dia, por exemplo. É uma função que exige muita confiança e responsabilidade.
Como você se sente trabalhando há tanto tempo em uma mesma empresa?
Eu estou há dez anos nessa construtora, o que é muito bom porque a gente conquista a confiança das pessoas. Na obra em que estou atualmente, temos ao todo 110, 115 trabalhadores e todos se dão muito bem.
Como é seu dia-a-dia?
A obra em que estou hoje fica em Santo André (SP). Então, por causa da distância, eu acordo às 4h30 para conseguir chegar ao trabalho às 7h00. Meu expediente vai até as 17h00, mas muitas vezes é difícil sair no horário porque acontecem mil coisas durante o dia. Como minha função exige medição e conferência, não posso ir embora e deixar as coisas por fazer no almoxarifado. Até porque eu sou responsável por essas atividades.
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