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Uma vida em obra


Mestre conta o segredo para se manter trabalhando em uma mesma empresa por mais de vinte anos


Reportagem: Juliana Nakamura


PERFIL
Fotos: Marcelo Scandaroli Nome: Edson Barros Fernandes
Idade: 69 anos
Estado civil: casado (pai de dois
filhos e avô de oito netos)
Onde nasceu:Currais Novos (RN)
Onde mora: Osasco (SP)
Função: mestre-de-obras
Em que tipo de obra trabalha:
edificações multipavimentos
comerciais e residenciais
Como aprendeu a profissão:na
prática,no começo como
armador, no interior de São Paulo
Maior sonho: ter um neto
engenheiro

Como o senhor começou a trabalhar na construção civil?
Meu primeiro emprego nesse setor foi como armador, em Itapeva, no interior de São Paulo. Fui carpinteiro, encanador, encarregado, até chegar a mestre-de-obra. Quando entrei na construtora em que trabalho hoje, no dia 11 de novembro de 1984, eu já era mestre. Naquela época a firma estava nascendo, tinha uma equipe pequena. Hoje, ela tem cerca de 500 funcionários, muitas obras em andamento e é uma das mais bem equipadas.

Como o senhor se sente trabalhando há tanto tempo em uma mesma empresa?
É muito bom. Eu aprendi muito nesses mais de 20 anos com o engenheiro que também é o dono da construtora. Juntos fizemos quase todo tipo de obra: prédio residencial, galpão industrial, shopping, faculdade, casas. Em cada uma delas a gente aprende uma coisa.

Há algum tipo de obra que o senhor goste mais de fazer?
Eu gosto muito de trabalhar em galpão de indústria porque é uma obra muito mais rápida de fazer. Mas comigo não tem tempo ruim. Todas as obras são especiais. A maior realização é ver um terreno vazio se transformar em uma construção enorme e bonita. Há muitos anos, ajudei a construir um viaduto na Lapa, em São Paulo, que me dá muito orgulho sempre que eu passo por lá.

Como é seu dia a dia no trabalho?
Ultimamente estamos trabalhando em um shopping em ritmo acelerado. A obra acontece de segunda a segunda e eu preciso acompanhar tudo bem de perto. O bom é que hoje eu consigo de carro chegar rápido ao canteiro. Mas no passado eu já peguei trabalho em que levava mais de duas horas para chegar e outras duas horas para voltar para casa.

Com essa rotina corrida, o que o senhor gosta de fazer quando sobra um tempo livre?
Gosto de ficar em casa, com a minha família, curtindo meus netos. Eu tive apenas dois filhos, mas já tenho oito netos. Uma delas já está completando 15 anos e o mais velho já entrou na faculdade. Só é uma pena que nem os meus filhos, nem os meus netos se interessam por construção. Queria muito ter um neto engenheiro.

Durante todo esse período, houve algum momento em que o senhor pensou em desistir ou em seguir outro rumo?
Nunca. Primeiro porque a construção sempre foi muito boa ao me dar oportunidades. Além disso, eu não consigo me imaginar fazendo outra coisa da vida. Eu sempre gostei muito de obra. Acho um trabalho muito bonito.Eu amo o que eu faço.

O senhor já imagina como será a sua vida quando se aposentar?
Na verdade eu já me aposentei, mas preferi continuar trabalhando.Não quero ficar em casa sem fazer nada. Espero poder trabalhar enquanto tiver saúde.

Em sua opinião, quais são os principais desafios da função de mestre-de-obras?
Não é um trabalho difícil. E coordenar o trabalho das equipes até que é fácil quando a gente está ao lado das pessoas certas, competentes e esforçadas.

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Edição 16
Março/2008

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