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Pessoal
 

Valorização dos mestres-de-obras


Eles sabem o que realmente se passa na obra



Divulgação: Centro Brasileiro de Construção Sustentável
É preciso preparar e treinar novos mestres

Houve um tempo em que essa profissão passava de pai para filho, netos e assim sucessivamente. A crise da engenharia brasileira afastou os jovens desse caminho. Foram para a indústria automobilística, para o comércio ou para escritórios. Mas os mestres-de-obras são os verdadeiros construtores do nosso País. É com suas mãos que uma obra se ergue. Cada vez mais os nossos engenheiros se tornam burocratas, administradores de papéis, de pagamentos, de contratos, de planilhas, de medições. Quem realmente sabe o que se passa na obra, sobe o tempo todo nas lajes em execução, desce nos subsolos escuros e úmidos, confere fôrmas, armações, e acompanha todo o desenrolar das tarefas é o mestre-de-obras.

Na década de 80, lembro de um acontecimento muito pitoresco para uma engenheira recém-formada como eu. Visitava a Hidrelétrica de Porto Primavera, em execução pela Camargo Corrêa. Obra imensa, com mais pessoas que muita cidade. Cheguei exatamente num dia em que haveria uma visita de Sebastião Camargo em pessoa, fundador e dono da Camargo Corrêa. Os engenheiros e técnicos, e eram muitos, estavam alvoroçados. Andavam de um lado para outro, apreensivos, arrumando todo o canteiro, preparando relatórios, mapas, cronogramas, davam instruções a todos. Não consegui ser atendida por ninguém. Resolvi, portanto, aguardar e observar, já que ficaria na obra por uma semana.

De repente, chega o aviãozinho que trazia Sebastião Camargo e pousa na obra. Vários carros foram ao seu encontro, pois o canteiro era muito grande e para percorrê-lo era necessário automóvel. Mas qual não foi a surpresa de todos, quando o homem saiu a pé, em companhia do mestre Zezinho. Passaram o dia andando por toda a obra, conversando, vendo tudo. Ao final da tarde, Sebastião Camargo foi-se embora em seu avião sem conversar com nenhum dos engenheiros, sem olhar nenhum dos relatórios. Tudo o que ele precisava saber da obra, ele soube, com as palavras mais verdadeiras e francas, transparentes e honestas.

Ainda temos muitos mestres como o Zezinho neste país. Mas faltam muitos.
O mercado de construção está crescendo. O que vai atrapalhar nosso crescimento será a falta de mão-de-obra. Não preparamos sucessores, não formamos pessoas e, sem elas, teremos dificuldades em realizar o que precisa ser realizado, e crescer na velocidade que precisamos.

Algumas empresas e entidades estão conscientes de sua responsabilidade e já iniciam programas de treinamento e formação de profissionais. Há iniciativas como a do Senai Tatuapé, pelo engenheiro Cabanas. E de associações como Abragesso, ABCP, Abcic, IBTS, Abece, entre outras, que constantemente realizam cursos e palestras. E empresas como a SH Fôrmas que dá cursos nas construtoras, ou em conjunto com o Senai, para formação de montadores de fôrmas e andaimes. Por isso, vamos valorizar nossos mestres! Deixo aqui todo o meu carinho e respeito.

Maria Alice Moreira
engenheira civil,
diretora comercial da SH Fôrmas
Divulgação: Centro Brasileiro de Construção Sustentável
 
 
Edição 15|
Fevereiro/2008
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