
Conte como você começou a trabalhar na construção
civil.
Eu sempre tive muito interesse pela área de elétrica. Fiz
curso de eletricista e trabalhei por sete anos como orçamentista
focado em equipamentos de proteção contra incêndio.
Mas houve um momento que senti necessidade de avançar mais um passo
na carreira. Por isso, fiz um curso técnico de segurança
do trabalho no Senac. Pesquisei a grade curricular e logo me identifiquei
com a profissão, porque gosto muito de lidar com pessoas. Já
como técnico, a partir de 2003, passei por algumas empresas de
engenharia até chegar a essa construtora, onde estou há
um ano e meio.
Como é seu dia a dia de trabalho?
Faço reuniões, palestras, fiscalizo e acompanho a utilização
dos equipamentos de proteção, preparo relatórios
etc. Hoje eu me revezo entre pelo menos duas obras. Normalmente, visito
uma obra pela manhã e outra na parte da tarde.
Quais as características importantes para o técnico
de segurança do trabalho?
É bom estar sempre informado, atualizado, ter desenvoltura e facilidade
de comunicação. Também é interessante ser
amigo, trazer o pessoal para o nosso lado. Assim fica mais fácil
fazer todos entenderem a necessidade e a importância da segurança.
O técnico de segurança do trabalho é um educador
e um multiplicador. Por isso, é tão importante estar próximo
das pessoas e conquistar a confiança delas. O curioso é
que, no final, o pessoal fica amigo mesmo, vem pedir conselhos, desabafar
problemas, buscar orientação.
Essa proximidade lhe ajuda a conquistar o respeito das pessoas?
Eu felizmente tenho conquistado com facilidade esse respeito. É
importante ter sempre em mente que o meu papel na empresa é garantir
a proteção dos trabalhadores sem barrar o processo produtivo.
A obra precisa andar, tem seus próprios prazos e processos. O técnico
de segurança precisa, então, se adaptar a isso e trabalhar
para que tudo aconteça da forma mais tranqüila e segura para
todos.
Mas, nessa função, você também exerce
a tarefa de punir, certo?
A gente procura evitar sair dando advertência para todo mundo sem
critério. Isso só acontece quando é realmente necessário
e, mesmo assim, primeiro damos uma advertência oral, para depois
dar a advertência escrita. O meu papel é o de fazer com que
todos compreendam a importância da segurança e o valor da
vida. Eu sou um prevencionista, ou seja, devo evitar que o não-cumprimento
das normas de segurança aconteça.
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