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Como construir para todos


Conceito de acessibilidade deve orientar projeto e construção


Sandra Perito


Marcelo Scandaroli
Rampas são recursos que facilitam o acesso e circulação de idosos e deficientes físicos nas ruas

Não somos todos iguais! Basta olharmos em volta para percebermos como as pessoas são bem diferentes. Os altos têm mais facilidade para trocar uma lâmpada, enquanto os baixos conectam mais facilmente um equipamento em uma tomada. As crianças, os obesos e os idosos têm mais dificuldades de locomoção, enquanto os jovens são mais ágeis.

E, mesmo que sejamos saudáveis, teremos dificuldade de andar, de enxergar quanto mais velhos ficamos. Portanto, criar espaços que possam ser visitados e usados por todas as pessoas, com ou sem limitações, é a nova palavra de ordem. Isso se chama acessibilidade.

Além disso, quem nunca quebrou uma perna? Ou teve problemas para andar com carrinho de bebê por uma calçada irregular? Ou precisou fazer móveis passarem por portas e corredores estreitos? Essas são situações a que todos estamos sujeitos. São limitações temporárias.

Existem ainda as pessoas com limitações permanentes. São deficientes físicos que precisam de cadeiras de rodas, cegos, idosos com doenças relacionadas à locomoção, enfim, as mais diversas necessidades devem ser atendidas. Isso inclui edificações e espaços públicos (calçadas, rodoviárias, pontos de ônibus,praças, estações de metrô etc.) e privados (residências, prédios, áreas externas, jardins etc.).

Por isso, é preciso pensar em construir espaços amigáveis para os diversos tipos de pessoas. Rampas, calçadas que evitem tropeços, ruas bem sinalizadas, portas e corredores largos o suficiente para passagem de cadeiras de rodas.Tomadas de energia elétrica a 45 cm do piso são de fácil alcance e uso por todas as pessoas.

Além disso, é preciso lembrar sempre que a circulação deve ser facilitada, evitando barreiras, desníveis ou buracos em calçadas e pisos, escadas que cansam as pessoas, ou qualquer tipo de "armadilha", como pisos escorregadios ou armários altos, que colocam em risco a segurança do usuário. Enfim, há uma série de soluções de projeto que previnem esses transtornos.

É claro que ter acesso a um ambiente é importante,mas não é o único requisito. A acessibilidade engloba também a aproximação e o alcance. É preciso que as pessoas que entrem em um banheiro, por exemplo, consigam se aproximar da pia se estiverem em cadeira de rodas.Ou então, possam alcançar a torneira, no caso de uma criança, ou até olhar no espelho, se for uma pessoa de baixa estatura. As construções devem minimizar os esforços para que as pessoas executem as atividades cotidianas.

Todas essas características juntas são o que se conhece por desenho universal, um conceito de construção que torna o uso mais fácil e beneficia a todas as pessoas, considerando suas diferentes habilidades.Todos os envolvidos na construção são responsáveis por isso. E os trabalhadores da construção, que de fato põem a mão na massa, têm uma enorme contribuição a dar, para que as cidades sejam amigáveis a todos os cidadãos. Compreender esse conceito já é o primeiro passo. Então, mãos à obra!

Divulgação IBA Sandra Perito
Arquiteta doutora em Arquitetura Inclusiva e presidente do Instituto Brasil Acessível
 
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Edição 12
Julho/2007

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