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Liderança e determinação do mestre


Importante é ter produtividade e fazer as coisas de maneira rápida e bem-feita


Reportagem: Juliana Nakamura


Quando e como você começou a trabalhar na construção civil?
Comecei em uma construtora em São Paulo, em 1982. Na época eu era servente, mas logo fui assumindo outras funções.Fiz uma série de cursos no Senai, de estrutura, vedação e acabamento, por exemplo, que me ajudaram a aprender a teoria. Assim fui progredindo até chegar a encarregado de carpintaria, contramestre e, depois, mestrede- obras.

Nesses anos dedicados à construção, você passou por algum momento de crise ou dificuldade?
Felizmente não. Tenho a impressão de que a pessoa que faz as coisas direito não fica sem emprego. Se o engenheiro percebe que você trabalha bem, ele naturalmente vai querer lhe manter em sua equipe ou lhe levar para outra construtora. Sempre pude contar com convites e indicação de gente que já trabalhou comigo. Assim, nesses anos todos, nunca fiquei sem trabalho.

Fotos: Marcelo Scandaroli
Macarrão com a esposa e os filhos

Hoje você trabalha em uma obra que começou a ser tocada por uma construtora e agora está sendo concluída por outra empresa. Como foi essa transição?
Estou há sete anos nessa obra, um conjunto residencial onde já entregamos oito torres e estamos com mais duas em fase de conclusão. Há dois anos, a construtora começou a enfrentar algumas dificuldades e tomou a decisão de repassar a obra para outra empresa. Todo o pessoal da antiga construtora foi substituído pelos funcionários da nova empresa. Eu fui o único que permaneceu.

E foi difícil a adaptação?
Por que você acha que foi mantido? Acho que fiquei porque os novos chefes perceberam que eu não fazia corpo mole, que estava motivado para trabalhar. A adaptação foi tranqüila, porque felizmente eu me dou bem com todo mundo.

Fotos: Marcelo Scandaroli
Aos domingos gosta de ir à missa com a esposa

Durante sua carreira, alguém te influenciou ou teve importância decisiva para o seu sucesso?
Quando comecei, havia um mestre que chamávamos de Paraná que me ajudou muito. Eu trabalhava na carpintaria e ele sempre dizia que eu não deveria me acomodar, e aprender outras funções. Ele me deu muita oportunidade, o que foi muito importante. Hoje eu procuro fazer o mesmo com os que têm vontade de aprender.

Em sua opinião, que características são fundamentais em um bom mestre-de-obras?
O mais importante é ter produtividade, fazer as coisas de maneira rápida e bem-feita. Além disso, para o mestre, é fundamental ter pulso firme para li dar com o pessoal. Aqui, por exemplo, a gente trabalha com mão-de-obra própria. É preciso botar a mão na massa e fazer todo mundo trabalhar. Hoje temos cerca de 80 pessoas trabalhando. Se o mestre não conseguir o respeito de todos, fica complicado fazer a obra andar.

Como é sua rotina de trabalho?
É dura, mas eu gosto do que eu faço. Meu horário de trabalho começa às 7h00, mas normalmente às 6h30 eu já estou no canteiro.Fico na obra até mais ou menos as 19h00 e,como moro longe, chego em casa às 21h00, ou seja, só para dormir. Ultimamente temos trabalhado também aos sábados, até as 16h00.

O que você costuma fazer nos poucos momentos livres?
Eu fico com minha mulher. A gente sai para passear e sempre vai às missas aos domingos. Isso é sagrado.

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Edição 12
Julho/2007

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